BTG News - Olá André, antes de mais obrigado por teres aceitado o nosso convite. Vamos começar
com uma pequena provocação: apesar de toda a tua experiência em simuladores e
de toda a comunidade reconhecer que és um dos GM’s mais capazes da liga, que te
valem aliás o epíteto de “Mestre da Tática”, nunca ninguém pensou que os Magic,
em função do seu roster, pudessem estar neste momento em 2º lugar da
Conferência Este, com um recorde de 18-6. Sem revelares demasiados detalhes
estratégicos, como é que explicas o sucesso da equipa, numa altura em que já
ultrapassámos o 1º quarto da temporada regular?
André Lucas - Sempre uma honra poder participar nestas entrevistas, obrigado pelo convite. Admito que fiquei um pouco chocado com o estado dos Magic quando peguei na equipa, e a cereja no topo do bolo foi perceber que, mesmo assim, nem tínhamos a 1st pick para explorar essa via.
Ainda
assim, achei que havia material suficiente para trabalhar e começar a
implementar um sistema de jogo que gosto bastante e que acredito ter potencial
para ir longe. Isso também foi facilitado por algumas trocas com outros GMs que
estavam alinhados com a visão que queríamos para a equipa.
Neste
momento, ainda não estou 100% satisfeito com o que temos para o sistema ideal
que procuro, mas já é uma excelente amostra de que estamos no caminho certo.
Muito do sucesso da equipa explica-se por isso mesmo: temos identidade e
capacidade, tanto no cinco inicial como vindo do banco, que em termos de
overall não difere assim tanto. Isso ficou bem visível com a equipa a manter
bons resultados mesmo sem o Coby White e o Myles Turner.
Por
último, a nova adição tática tem ajudado bastante, permitindo-nos adaptar
melhor ao adversário e, ao mesmo tempo, explorar os nossos pontos fortes. Dou o
exemplo do Dillon Brooks: conseguimos tirar partido da sua capacidade defensiva
de lockdown, mas em certos jogos também ajustamos o plano para que ele assuma
mais responsabilidade ofensiva, chegando a produzir como um jogador de 86+ de
overall.
BTG News - A
equipa já dava sinais de evolução desde a tua chegada no início da temporada
passada, mas acredito que nem tu próprio estivesses à espera deste nível de
performance. Quão longe vês esta equipa chegar? Está em linha com o que tinhas
pensado para esta época? Ou já te viste “obrigado” a redefinir objetivos,
depois deste excelente arranque?
AL - Admito
que não estava 100% certo de que ia conseguir já este tipo de resultados, mas
esperava claramente fazer melhor do que na época passada. Defini um período
inicial de 15 jogos para perceber melhor a direção da equipa e ajustar o plano
para a época.
Escusado
será dizer que, com mais de 70% de vitórias, acho que já temos um objetivo bem
definido: lutar por um lugar no top 4 para os playoffs, mesmo sabendo que, em
teoria, o plantel pode não estar nesse nível.
Um
último ponto é que sinto que já temos uma base de plantel para várias épocas.
Há margem para evoluir e ir ajustando conforme aquilo que for identificando
como necessário ao longo do tempo.
BTG News - Não
podemos perder a oportunidade de falar de tática. Os Magic são neste momento o
3º melhor ataque da liga, mas a defesa está a meio da tabela. Sabemos que, por
norma, gostas de dar uma identidade defense-first às tuas equipas. É algo que
este ano tem sido menos prioritário ou consideras que estes rankings são
sobretudo circunstanciais?
AL - Excelente
questão. Acho muito mais importante explorar diferentes abordagens logo no
início da regular season para perceber qual é a melhor forma de jogar no
ataque, em vez de estar apenas focado em pausar o jogo e explorar a capacidade
defensiva da equipa.
O
facto de conseguirmos ter o 3.º melhor ataque, mesmo sendo uma equipa
maioritariamente defense-first (diria uns 80%), dá-nos uma vantagem
tática e estratégica enorme, tanto na CUP como nos playoffs. Acabamos por não
ter tanta necessidade de recorrer a DCs mais “amplas”, porque já temos essa
flexibilidade dentro do próprio sistema.
Relembro
também que jogadores como o Coby White e o Jerami Grant encaixam muito bem
nesta vertente mais ofensiva, e, de certa forma, o resto do plantel acompanha
essa mesma ideia, seja no cinco inicial ou vindo do banco.
Isso
acaba por refletir-se nas estatísticas do banco, principalmente no plus/minus,
que não está assim tão distante do cinco inicial, o que mostra bem o equilíbrio
que conseguimos manter.
BTG News - Acaba
por ser curioso pois, olhando para o roster, a maioria dos jogadores mais
utilizados são jogadores no mínimo muito competentes do ponto de vista defensivo,
com a exceção notória de Coby White. É algo que esteja sempre presente na
construção do roster? É isso que explica, por exemplo, que um jogador como o
Jerami Grant tenha uma utilização reduzida?
AL - O
basquetebol é um desporto de equilíbrio e até vou mais longe ao dizer que é
provavelmente onde isso é mais determinante para o sucesso. Tento sempre
construir o roster com isso em mente, sobretudo olhando para a rotação e
garantindo que sei exatamente que cinco está em campo em TODOS os momentos do
jogo.
O
Coby White é perfeito para isso. Está a ser um dos bases mais eficazes da liga
e, na minha opinião, é claramente o meu All-Star. Muito disso vem do facto de
não ter muitos jogadores no cinco inicial que compitam diretamente com o seu
papel e as suas tendências.
No
cinco do banco, acontece algo semelhante com o Grant. Se tivesse o Grant a
titular ao lado do Coby White, acredito que ambos iriam perder rendimento, não
só ofensivo, mas também defensivo. Desta forma, consigo garantir que temos
sempre um scorer competente durante os 48 minutos, com apoio de jogadores como
o Castle e o Grimes.
Mais
uma vez, tudo se resume ao equilíbrio. Mesmo sabendo que nem todos têm
exatamente a identidade defensiva que prefiro, o conjunto acaba por funcionar
muito bem.
BTG News - Sem
sair do tema das táticas, o início desta temporada ficou marcado por uma
novidade muito relevante no simulador. Como vês a introdução dos “Coaching
Styles” no BraTuga? Fala-nos um pouco sobre o impacto desta nova funcionalidade
na tua elaboração das DC.
AL - Tudo
o que dê ao GM mais controlo e opções para pôr a equipa a jogar será sempre
muito bem recebido por mim e, sinceramente, é também a parte que mais gosto de
“explorar”.
Esta
inclusão é um acréscimo bastante importante para o simulador, por isso deixo
desde já os parabéns pelo trabalho bem feito. Vejo que muitos GMs já estão a
tirar bom proveito desta novidade, mas também noto alguns mais conservadores
que, na minha opinião, estão claramente a desperdiçar potencial por não
testarem esta funcionalidade em conjunto com a DC (até para ajudar ao nosso
sucesso no Este).
O
impacto é significativo, porque permite conjugar melhor as opções da DC, rotação
e tendências, com o coaching style, que deve tirar partido dos pontos
fortes da nossa equipa contra as fraquezas do adversário.
Ao
mesmo tempo, também vejo o coaching style como uma forma de impor o
nosso sistema e obrigar mais o adversário a adaptar-se a nós, em vez do
contrário. É precisamente esse “tactical mastery game” que adoro no
basquetebol.
Admito
que as minhas DCs mudaram bastante desde a época passada, muito por causa desta
nova introdução no jogo, e fico satisfeito por ver que as diferentes
experiências que tenho feito estão a dar resultado.
BTG News - Vamos
abrir agora a conversa ao resto da liga. Sabendo que és um GM que gosta de ter
bastante conhecimento sobre toda a liga, quais são as equipas que mais te têm
surpreendido pela positiva até agora? E há alguém que esteja render menos do
que estavas à espera?
AL - Sem
dúvida os Sixers e os Heat na minha conferência. Acredito que ainda vão
recuperar, porque têm claramente potencial para isso, mas esperava que
estivessem no top 4 neste momento e não tão abaixo na classificação.
Do
lado do West, por muito que me custe dizer, quem está a render bem abaixo do
que eu esperava são “os meus Spurs”. Com um trio como Trae Young, Anthony Davis
e Jalen Johnson, além de um bom conjunto de role players, acho que deveriam
estar a lutar pelo top 6 do West e não pela 1st pick.
Pela
positiva, destaco sem dúvida os Dallas Mavericks, que têm estado super clutch
com um Dame Lillard a altíssimo nível, e também os Warriors, que estão a tirar
o máximo partido do plantel longo que têm.
A
curiosidade nestas duas equipas é que são as que mais triplos marcam na liga e
nenhuma delas tem o “Mr. Steph Curry”, o que as coloca claramente na minha
lista de surpresas pela positiva.
BTG News - Está
na hora dos palpites! Temos várias equipas com legítimas aspirações ao título e
ainda há muito tempo para outros agitarem as águas no mercado e intrometerem-se
na luta. Quem são para ti os principais candidatos a levar o anel? Queres
destacar algum outsider que, na tua opinião, pode chegar mais longe com a ida
“certa” ao mercado?
AL - Olhando
puramente para a performance e para o valor do plantel, o meu top 3 é, sem
dúvida, Sacramento Kings, Portland Trail Blazers e Washington Wizards. Estas
três equipas têm plantéis invejáveis e não consigo apontar uma favorita clara,
mas acredito que a final do Oeste vai ser entre Kings e Blazers e quem sair vencedor daí terá fortes
hipóteses de ganhar o BraTuga.
Com
margem para crescer, coloco também os Bulls, que têm um plantel muito
semelhante a estas três equipas que referi, mas cujo encaixe entre jogadores
ainda não está a resultar como esperado.
Outra
equipa onde vejo algo parecido são os Pacers. Apesar do GM considerar
surpreendente o desempenho atual, na minha opinião estão a underperform e já
deviam estar a fazer mais. Isso até me “assusta”, porque basta 1 ou 2 trocas
bem feitas para mudarem completamente o nível da equipa.
BTG News - Apesar
de não estares no BraTuga desde o seu início, tens um longo percurso em
simuladores da NBA. Este ano temos muitos GM’s rookies, que conselhos darias
aos menos experientes?
AL - Para
isso, vou buscar um termo da minha área de engenharia informática: Fail
Fast. Basicamente, aconselho os GMs rookies a experimentarem bastante e
a não terem medo de falhar, porque isso ajuda a perceber rapidamente o que não
funciona e consequentemente, o que funciona.
Esse
processo também é importante para entender melhor as dinâmicas da liga, mas
sobretudo para descobrir os “combos” que podem criar com os seus jogadores.
Isso depois acaba por ajudar bastante, seja na hora de propor trocas, seja a
explorar outras opções como Free Agency ou o Draft.
Outro
ponto importante é que uma amostra de 1 a 3 jogos não é suficiente para tirar
grandes conclusões. Se conseguirem planear blocos de 4 ou 5 jogos com
abordagens diferentes, vão perceber muito mais rapidamente o que funciona
melhor para a equipa.
BTG News - Estamos
a terminar a nossa entrevista, desde já agradecemos a tua disponibilidade.
Queres deixar um comentário final à nossa comunidade, ou eventualmente alguma
sugestão sobre o BraTuga?
AL - Primeiro, agradecer-vos pela oportunidade de fazer parte da comunidade, por
poder também participar nesta entrevista e, por último mas não menos
importante, pelo trabalho na gestão do simulador, que tenho perfeita noção do
tempo que isso vos exige para tornar esta experiência cada vez mais divertida.
Em
termos de sugestões, vou focar-me naquilo que mais gosto: a gestão da DC e a
forma como as equipas jogam consoante as alterações que conseguimos
implementar. Uma das ideias que faria mais sentido para mim seria adicionar
mais coaching styles, por exemplo dividindo-os em duas dimensões
(ofensiva e defensiva), o que abriria muito mais possibilidades e “árvores de
decisão” nas simulações.
Por
último, a questão da rotação dos jogadores. Pessoalmente, gostava de ter mais
controlo manual na distribuição de minutos, em vez de estar limitado a uma
rotação fixa de 10 jogadores.
De
resto, continuem o excelente trabalho e muito sucesso para todas as novas
implementações que aí vêm!

Entrevista cheia de conteúdo por parte do André Lucas, muito útil para todos os GMs, especialmente para os menos experientes.
ResponderExcluirÉ impressionante o trabalho que ele está a desenvolver nos Magic, na época passada os sinais já estavam lá, mas a subida esta época foi vertiginosa. Parabéns!
Tal como o André refere, eu também procuro manter sempre um 5 minimante equilibrado em todos os momentos do jogo. A meu ver, é essencial usar os Minute Type com critério, para evitar expor a equipa a quebras drásticas repentinas. Nem sempre se consegue mas no mínimo é preciso fazer um esforço para tentar minimizar o impacto.
Obrigado pela entrevista, pelas palavras simpáticas e pelas sugestões, caro fellow metaleiro!
Entrevista muito legal e que bom ver meu ex Magic galgando sucesso na liga.
ResponderExcluirExcelente entrevista!
ResponderExcluirAndré é um GM com uma visão muito clara e madura sobre construção de equipa e adaptação tática, algo que explica diretamente o sucesso do Magic nesta temporada. O ponto mais interessante é como ele foge da ideia de depender apenas de talento bruto e aposta fortemente em identidade coletiva, equilíbrio de rotações e leitura constante do jogo — algo que muitos subestimam em simuladores.
Fica evidente também que o desempenho da equipe não é um “overachievement” aleatório, mas sim consequência de um sistema bem implementado. A forma como usa o banco, a gestão de perfis como Coby White e Jerami Grant, e a preocupação em ter sempre funções bem definidas em quadra mostra um nível de detalhe acima da média.
Outro detalhe interessante é o uso dos “coaching styles” como uma ferramenta central para impor o próprio jogo — algo que separa GMs bons de GMs realmente diferenciados.
Com certeza, o André é um grande GM e fará o Magic se tornar um contender em breve.
Um show !!! Grande entrevista do André!!! meu 1 ano de Bratuga e já dá pra perceber o quanto ele é bom GM e coach! Fizemos uma troca ano passado e ele tentou buscar meus melhores defensores - isso diz muito sobre o mindset e como enxerga o jogo. Magic vem muito forte pra temporada e irá ganhar muito "favorito". Fico feliz do GSW ter sido lembrado e destacado por ele - isso já mostra que estamos em bom caminho também!!! Parabéns ao Bratuga pelo conteúdo sensacional ! Que tenham outras desse nível !!!
ResponderExcluirExcelente entrevista e conteúdo de um dos meus GMs favoritos.
ResponderExcluirSem starpower consegue fazer uma campanha enorme e o próprio Benny já mostrou interesse em ir para os Magic porque lá pode render mais que em Chicago.
Boa sorte para o resto da época.
Mestre André Lucas. Conhece tudo do jogo. Com um time mediano, que na mão de muitos estaria, talvez, lutando pela pick, tem tudo para chegar entre os quatro da conferência.
ResponderExcluirO mestre da táctica não desilude. Excelente entrevista e embora o resultado vs roster seja surpreendente, vindo de quem vem diminui muito a surpresa. É um impacto logo tremendo num simulador ter alguém como o Lucas, que consegue dinamizar a liga, dar dicas e melhorar o grupo no conjunto. Parabéns pelo excelente trabalho!
ResponderExcluirParabéns pela excelente entrevista e principalmente pela campanha! 👏🏻👏🏻👏🏻
ResponderExcluirCaralhos, que baita entrevista, André Lucas sabe muito, justifica a posição dos Magic, bela entrevista, só engrandece a liga 💪🏼💪🏼💪🏼
ResponderExcluirExcelente entrevista com muito conteudo para reter com atençao. Sem duvida excelente trabalho que o Lucas está a fazer nos Magic!
ResponderExcluirBoa sorte na caminhada!